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A verdadeira escravidão na África

  • Foto do escritor: Jhonalter José de Campos
    Jhonalter José de Campos
  • 11 de ago. de 2021
  • 6 min de leitura

Publicado em 11 de agosto de 2021.

Atualizado em 19 de julho de 2025.


Você aprendeu na escola que a Escravidão se refere de maneira restrita a negros da África subjugados por brancos da Europa, especialmente nas centenas de anos de colonização, certo? A verdade é que informações mais antigas sobre a Escravidão na África são do século II a.C. entre os próprios africanos.


Retirado de Notícias Concursos.
Retirado de Notícias Concursos.

Identidade Cultural


A principal razão dos africanos escravizarem uns aos outros era a identidade cultural. Eles não se identificavam como africanos. Pelo contrário: família, clã, tribo, etnia, língua, religião ou país eram os diferenciais. Eles lutavam guerras para defender seu grupo étnico.


Segundo o Dicionário Michaelis On-Line (clique aqui), a palavra etnia pertence à antropologia e tem por significado a "comunidade ou grupo de pessoas caracterizadas por uma homogeneidade sociocultural com língua, religião e modo de agir próprios".


O fato histórico de lutar em prol de sua comunidade não levava a cor da pele em consideração já que todos eram naturais do continente africano. A força e a capacidade dos guerrilheiros em defender seu território, prole e bens eram atributos essenciais e considerados.


Razões para se tornar escravo


É necessário reavaliar as crenças que condenam sociedades africanas a uma ideia de comunidades sem regras para estabelecer a ordem social. Os povos antigos eram autossustentáveis, portanto possuíam suas leis e desenvolviam sua economia — considerando período e contexto histórico.


Abaixo, existem quatro situações que tornavam o indivíduo escravo, fosse por conflitos civis, financeiros etc.


  1. A partir das guerras, os prisioneiros deviam trabalhar ou eram vendidos pela tribo vencedora.

  2. Outra infelicidade era quando um homem perdia seus direitos de membro da sociedade ao ser condenado por transgressão e crimes cometidos.

  3. Pelo não pagamento de dívidas.

  4. Incapacidade de sobreviver por falta de recursos de maneira independente.


Segundo o historiador Lavejoy (2002) citado por Pelógia (2013):


"A escravidão africana antes da chegada dos portugueses foi tão bem consolidada e fundamentada que funcionava até mesmo como 'cimento social' contribuía para a fundamentação de modos de produção baseados na mão de obra escrava, e o poder político passou a se fundamentar em grande parte na escravidão".


Ascensão Econômica


No Continente Africano, por conta da expansão agrícola e a busca de Ouro da Gana a partir do século VIII, a riqueza era ditada pela posse de escravos e/ou de gado. Entende-se, portanto, a importância das guerras pelo ganho de escravos.


O escravo era a força de trabalho — principal forma da riqueza da África. Logo mais à frente, a terra, o solo é a riqueza na Europa e nos demais continentes.


"Nesse sentido ressaltamos que o tráfico transatlântico de escravos desenvolveu-se em parte com participação dos próprios africanos, ou seja os africanos participaram ativamente dessa atividade, pois eles determinavam quem embarcavam ou não para o Novo Mundo, isso revela um lado pouco conhecido dentro da história do tráfico" (Gonçalves, Pelógia, 2013, p. 8).


Enquanto na África só se adquiria terras se dispusesse de escravos para cultivá-las (quanto mais escravos, mais rico era, surgindo a necessidade de terras para "utilizá-los"); na Europa possuir terras era uma condição para adquirir escravos (quanto mais terras, mais rico era, surgindo a necessidade de mão-de-obra barata — quanto mais barata melhor, por isso escrava — para torná-las produtivas.


Como a negociação acontecia


A expansão marítima e comercial europeia começou no século XV. Europa, África e América unidas, possibilitando o acesso dos portugueses ao litoral atlântico da África onde tiveram um acesso maior ao comércio de seres humanos que já era praticado pelos africanos. A escravidão acontecia através da negociação entre portugueses e africanos por escambo.


Matéria da BBC News Brasil.
Matéria da BBC News Brasil.

"A jornalista e romancista nigeriana Adaobi Tricia Nwaubani escreve que um de seus ancestrais vendia escravos, mas argumenta que ele não deve ser julgado pelos padrões ou valores atuais. Confira o depoimento dela.

"Meu bisavô, Nwaubani Ogogo Oriaku, era o que prefiro chamar de empresário, da etnia Igbo do sudeste da Nigéria. Ele negociou uma série de mercadorias, incluindo tabaco e produtos de palma. Também vendeu seres humanos" (BBC News Brasil, 2020).


Romancista Adaobi Tricia Nwaubani sobre seu livro "I Do Not Come to You by Chance" ao canal do Youtube Masobe Books em outubro de 2019.
Romancista Adaobi Tricia Nwaubani sobre seu livro "I Do Not Come to You by Chance" ao canal do Youtube Masobe Books em outubro de 2019.

Os produtos oferecidos pelos portugueses que interessavam aos africanos eram tecidos, vinhos, cavalos e ferro que era derretido e transformado em armas para as batalhas.


Dessa maneira, os africanos enfrentavam os inimigos com novos recursos, obtendo maior quantidade de escravos para negociar com os portugueses alcançando status social. Um ciclo econômico bastante lucrativo para ambas partes.


Crimes contra seres humanos


À soma desses fatos históricos é necessário lembrar de judeus que foram escravizados, abusados e tratados como animais, sem alimentação, com doenças e mortos em câmaras de gás em razão de uma ideologia eugenista de raça pura versus raça inferior.


De igual modo, portugueses e outras populações brancas foram escravizadas por negros por estritamente objetivo econômico:


"Quando se fala de “escravidão negra”, não se atenta que foram negros que escravizavam outros negros. Até mesmo o maior símbolo de resistência negra no Brasil – Zumbi dos Palmares – teve escravos. Ele não rejeitou a escravidão, só não aceitou ser um escravo. Quando se fala em “escravidão negra”, ignora-se, por exemplo, que os mouros escravizaram os portugueses por 741 anos, entre 711 e 1452. Mesmo após a sua expulsão do território lusitano, os negros continuaram a escravizar brancos, a ponto de serem subjugados aproximadamente 1 milhão de europeus entre os séculos XVI e XVII. A escravidão tinha o intuito de gerar mão-de-obra e não necessariamente subjugar alguém de cor de pele distinta" (Freitas, 2018).


No entanto, a ideia de humilhar e subjugar um povo não está distante da atualidade. Em 2025, rebeldes do Hay'at Tahrir al-Sham (HTS) — grupo que atualmente controla a Síria — iniciaram ataques diretos contra os drusos que vivem na cidade de Al-Sweida, ao sul, perto da fronteira com Israel. Segundo notícias, testemunhas relataram que as forças do governo sírio acabaram se unindo aos beduínos para atacar os drusos em uma onda sangrenta pela cidade. Cerca de 30 foram mortos em confrontos; os rebeldes sírios torturaram, humilharam e executaram drusos na cidade.


"Originários do Egito no século XI, os drusos nasceram a partir de uma vertente esotérica do Islã, e por isso, acabaram se diferenciando bastante da crença muçulmana. O grupo pratica um ramo dissidente que não permite conversões – nem para dentro nem para fora da religião – e casamentos mistos. Mesmo falando árabe, preferem viver nas montanhas, pois se julgam mais protegidos. [...] Entretanto, o que se vê é o contrário: forças extremistas do HTS e demais rebeldes leais à liderança do país continuaram a confrontar violentamente as minorias religiosas, incluindo a comunidade drusa. Nas redes sociais, extremistas compartilham vídeos de abusos e humilhações" (SZNAJDERMAN, 2025).


Os massacres de civis drusos ocorreram com execuções extrajudiciais atribuídas às forças do novo governo sírio e milícias beduínas locais — um claro componente sectário e religioso. Em julho, tensões escalonaram de causa sectária para conflito territorial.


Africanos continuam a matar africanos


Africanos continuam a matar africanos e os movimentos progressistas não abordam essa temática. Um exemplo recente, o terror que vitimou 218 pessoas entre os dias 8 e 14 de junho de 2025 no estado de Benue, na Nigéria.


Os ataques foram realizados após uma sucessão de pequenos ataques brutais, segundo a Agência de Notícias, e a suspeita que os autores grupos islâmicos fulanis.


"Tudo começou em 8 de junho, na vila de Udei, distrito de Nyiev. Os agressores mataram dois agricultores a tiros e feriram Dabu Iorkohol Peter enquanto trabalhavam no campo" (Portas Abertas, 18 jun 2025).


Mulheres e crianças não foram poupadas, o que consolida a Nigéria como o país mais violento contra cristãos. Bebês foram queimados vivos!


Diante desta perspectiva, vê-se movimentos e comunidades no Brasil que visam unicamente "dividir para conquistar" poder sobre as pessoas através de ideologias e distorções. Situações de divisão e argumentações infundadas têm o objetivo de sufocar pensamentos que contrariam a lógica desses movimentos e, normalizam o extermínio de povos.





Referências


PELÓGIA, Rosa Aparecida. "A escravidão entre os próprios africanos". Secretaria do Estado do Paraná. Governo do Estado do Paraná. Disponível aqui. Acesso em 11 ago. 2021.


BBC News Brasil. "'Meu bisavô africano vendeu escravos, mas não deve ser julgado pelos padrões atuais', diz escritora negra". Disponível aqui. Acesso em 11 ago. 2021.


FREITAS, Ivo. "Por que não tenho orgulho (ou vergonha) de ser negro, e a verdade sobre a escravidão". SalaGeo. 2018. Disponível aqui. Acesso em 19 jul. 2025.


SZNAJDERMAN, Bruno. "Quem são os drusos, e por que Israel atacou a capital da Síria para protegê-los". Gazeta do Povo. 2025. Disponível aqui. Acesso em 19 jul. 2025.


Portas Abertas. "Milhares de cristãos são deslocados após massacre na Nigéria". 2025. Disponível aqui. Acesso em 29 jun. 2025.


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